sábado, 12 de outubro de 2013

          Senti o ar sumir de meus pulmões. Achei que aquela seria minha hora, que o meu livro teria finalmente um fim. Você colocava a bombinha na minha boca e tentava me fazer recuperar meu ar com todas as suas forças. Eu via em seus olhos que você não aguentava mais lutar para me manter viva. Então é assim quando morremos?
          Desisti. Fui me deitando aos poucos, esperando a morte me levar. Eu não aguentava mais lutar, não aguentava mais me manter em pé. Eu não podia acreditar que morreria de forma tão cruel, lenta e agoniante. Mas então senti você me puxar e dizer que eu não podia parar. Que eu não podia desistir, não podia me render.
          Eu puxava o ar com todas as minhas forças, lutando pela sobrevivência. Você apertava a bombinha e me dava esperanças sempre que o fazia. Eu não estava sozinha. Eu nunca estaria sozinha.
E então o ar voltou aos poucos, me permitindo dar meu primeiro suspiro de liberdade. E tudo graças a você... Tudo graças a minha melhor amiga.
          Assim que você me viu voltar a respirar, tudo o que você fez foi se sentar no chão e chorar. Sentei-me ao seu lado e lhe abracei. Sussurrava em seu ouvido que tudo estava bem agora, que eu estava viva e que nunca mais deixaria isso acontecer de novo. E nunca mais acontecerá.







Eu.

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